
Borboletas.


Quando eu me olho no espelho, eu vejo alguém que ainda tem medo do escuro, que acha que vai vencer, mesmo sabendo que a vida não é um jogo. Alguém que não pode parar de brincar, mas também não pode brincar com fogo. Alguém que passou a infância brincando, que aprendeu a andar de ônibus bem cedo, que se acostumou a viver com as dificuldades, porque não tinha outra escolha. Mas alguém que hoje em dia ama desesperadamente, por escolha própria, em meio a tantas outras opções. Quando eu me olho no espelho, eu vejo uma criança boba. Essa criança não é de ninguém. Só não sei dizer se ela foi abandonada, ou se foi ela quem abandonou todo mundo.
'' E de tudo que posso ser pra você eu só pediria que nunca fugisse de mim, nem mesmo quando por alguma razão eu deixasse a máscara cair, eu irei segurar sua mão como quem segura a mão de alguém que esteja pendurado sobre um barranco. E seguirei por dias, semanas, meses tentando tocar o seu coração até que um dia eu consiga...''


"No fim destes dias encontrar você que me sorri, que me abre os braços, que me abençoa e passa a mão na minha cara marcada, na minha cabeça confusa, que me olha no olho e me permite mergulhar no fundo quente da curva do teu ombro. Mergulho no cheiro que não defino, você me embala dentro dos seus braços e você me beija e você me aperta e você me aquieta repetindo que está tudo bem, tudo, tudo bem."
... Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua!

